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sexta-feira, 23 de maio de 2014

A Cultura Açoriana na obra de Domingos Rebêlo

Domingos Rebêlo criou uma iconografia onde se inscreve a cultura açoriana. Associada às atividades agricolas ou piscatórias quando o contexto é a natureza, ou as atividades artesanais quando o cenário é a cidade, a vila ou a aldeia, a figura humana confunde-se com a Natureza e é una, integra-se nela. Ao contrário da sociedade industrializada que observou nos seus tempos de estudante em Paris, nos Açores o laço com as origens, as tradições, a religião e a Natureza ainda não foi quebrado. Em contracorrente aos vanguardismos da pintura do século XX, Domingos Rebêlo expressa artisticamente que o ser açoriano ainda mantém uma certa pureza e não sofreu uma desestruturação, não se fragmentou, não se aniquilou, não caiu no niilismo. Na sua pintura, deparamo-nos com o culto da interioridade, ao voltar--se para dentro de si mesmo, que é uma característica açoriana de introspeção e própria do isolamento geográfico. As pesquisas do pintor buscam penetrar na psicologia e na alma açoriana e tentam defini-la e dar-lhe uma identidade. O levantamento etnográfico visa preservar uma memória e uma descoberta de si mesmo. Domingos Rebêlo dá voz ao silêncio do povo açoriano. 


Jorge Rebêlo

Ponta Delgada, 23 de maio

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Conferência de Jorge Rebêlo na ESDR

Foi com regozijo que o Núcleo Documental sobre Domingos Rebelo acolheu, a 16 de maio, a conferência sobre a vida e a obra do patrono, dinamizada por Jorge Rebêlo.

O conferencista destacou a importância dos estudos feitos pelo Mestre em Paris, os bons frutos que resultaram da interação do seu avô com os modernistas, o misto de correntes pictóricas que se concentram na sua obra.

Os alunos ficaram cientes do relevo que a pintura e os desenhos do ilustre artista micaelense desempenham no seu (e no nosso) processo identitário. 

Jorge Rebêlo ensinou-os a decifrar pormenores dos quadros, mostrou os estudos preparatórios, os desenhos, os esquissos, dando-lhes a entender o rigor que o artista colocava no que fazia. Conferiu destaque à representação da figura humana, ao sentimento e ao humanismo posto em cada uma, como se o pintor, através do rosto e do olhar dos retratados, conseguisse devolver a harmonia aos homens e ao mundo em que eles vivem. 

Bem-haja, Jorge Rebêlo, pelo trabalho incansável que tem desenvolvido na divulgação da obra do seu avô.

Coordenadora da Biblioteca Ana Isabel Serpa